LeroLero – “Cruz”
Episódio 6 – Temporada 2
Pergunte na cidade pelo Cruz e o povo informa! Certeza!
O último episódio da segunda temporada do Lero Lero, recebe Osvaldo Cruz de Paiva, o nosso popular “Cruz”. Ele nasceu no município de Tiros e acredito, que seja mais sangotardense que muita gente que nasceu aqui! Cruz se mudou para São Gotardo ainda criança. Sua história de vida é um exemplo de luta contínua e de uma vitória da alegria e do trabalho, sobre as dificuldades.
A chegada da família - Cruz, sua mãe viúva e sua irmã “- nesta bela e querida, minha mãe São Gotardo!” ilustra bem a sua força e coragem frente a um destino difícil de ser superado. A mudança da família, os pertences de cada um, vieram no caminhão da Soares e Nogueira, uma fábrica de creme, que buscava o produto no Morro Vermelho, em Tiros - “nossa mudança era tão grande que veio o creme e a mudança junto!“ Chegaram aqui - com um pilão e uma caixa de coisas! - sem lugar pra ficar, sem trabalho, mas, naquele mesmo dia, arrumaram uma casinha para morar lá no Cravo, no famoso Papagaio, nesse bairro que hoje chamam de Alto da Bela Vista. Foi ali que este sangotardense de coração leve, fez história.
Quando menino vendia de porta em porta, tanto a areia que buscava na cava da estrada do Caldeirão, quanto o esterco que juntava direto dos pastos. Garoto de pé no chão ele foi engraxate profissional! Fez até parte de um time de futebol onde todos os jogadores eram engraxates e jogavam descalços! A sua escova de engraxar ele guardou consigo com orgulho. Tem uma história boa dela neste Lero Lero! O primeiro gramado que ele cortou foi usando uma faca. Com o dinheiro do corte da grama ele comprou uma tesoura e se tornou um jardineiro respeitado na cidade – eu não troco de profissão de jeito nenhum! Fez de tudo na prefeitura – capinou rua, foi servente, mensageiro, serviço braçal principalmente. Durante muitos anos trabalhou a noite na Sonda – onde bombeavam a água que servia a cidade.
Adolescente, os 15 anos de idade, entrou para a Banda Santa Cecília, onde está até hoje. O maestro da época era o incrível Sargento Gabriel - que ele considera um pai. Mudam os maestros, mudam os músicos, passam os gestores, fica o Cruz e seu trombone!
A vida sofrida de Osvaldo Cruz de Paiva não lhe tirou a alegria, a simplicidade, o gosto pela vida, a disposição e energia – antes do trabalho ele faz academia e foi depois dos 50 anos que ele voltou para a escola e através do EJA fez os primeiros anos escolares!
O Lero Lero escuta a história deste músico e jardineiro singular, alto astral, que, antes de antes de mais nada, tem um jeito muito particular e criativo de contar a sua história – ele lembra sons da infância, ele canta e comenta ao mesmo tempo! Cruz é dono de uma voz sincera, corajosa e respeitosa! Bem vindo Cruz ao nosso Lero Lero!
